26 May 2008

Vai explicar...




Na pesca com mosca, ou generalizando ainda mais, na pesca com iscas artificiais, sempre tem um "Quê" de Técnicas absolutas e infalíveis que todo mundo acredita de forma quase que incontestável e passa então a ter o status de "paradigma". 

É bem comum nos depararmos com estes paradigmas diariamente, principalmente em revistas, livros e em discuções, sejam estas travadas em grupos de amigos ou ainda nos excelentes fóruns de pesca com mosca disponíveis na web brasileira.

Nada como situações práticas de pesca para quebrar alguns destes paradigmas. Neste último feriado, me deparei com uma série de situações um tanto paradoxais em relação aos tais paradigmas...

No quesito, pesca com mosca no beira mar, ou na praia como queira, encontro-me no atual status de "DEDÃO". Aprendendo um pouco aqui, um pouco ali, sobre marés, horários, condições climáticas, arriscando um crazy charlie aqui, um mini-minow ali, um camarãozinho de ep acolá e assim  se foram os feriados prolongados  de 2008 : de caniço na mão casteando nas ondas e andando pela praia procurando lugares para arremessar...

Durante o último feriado, acordei na 6a. feira e tomei um susto ao sair do apartamento, pois o dia estava claro, a temperatura estava amena e o mais impressionante : NÃO VENTAVA ! Até o dia estar claro e com temperatura amena, OK, agora não ventar em Ilha comprida, é praticamente um milagre ! Infelizmente eu tinha acordado um pouco tarde e já tinha perdido então a chance de pescar de fly no melhor horário da manhã para tal empreitada. Segundo por que pescar de fly com um monte de banhistas nas praia é um saco ! Além das trocentasp perguntas e palpites do tipo "coloca uma chumbada nesse trem ai !" ou ainda a clássica "Mete um camarãozinho vivo ai que é show"

Passei o dia ansioso para fazer umas tentativas no fim do dia, cair da noite e primeiras horas após o anoitecer... No meio da tarde já juntei a tralha, e sai na caminhada até um local afastado e que conta com algumas parcas estruturas submersas junto as ondas. Chegando lá, já no finalzinho da tarde, era notório que o vento continuava ausente, a temperatura começava a cair...

Caniço montado, Crazy charlie na ponta do tippet, meia dúzia de curiosos olhando o ET pescar de fly na praia e "vamo que vamo" ! Lança aqui, lança ali, entra um pouco mais ao fundo, lança ali, lança aqui... Um pouco mais ao fundo, Lança aqui, lança ali, e... e... nada...

Sai da água, troca a mosca, 2 minutos observando o lugar, tentando identificar talvez uma melhor posição de arremesso, e vamos começar o ritual todo novamente...

Já Escuro, como sempre perco a noção do tempo pescando, declaro encerrada a empreitada e volto dedão para o apartamento. Com frio, bem cansado e pensando "A temperatura estava OK, não tinha vento, a água está limpa, as ondas estavam baixas e fracas. O que aconteceu de errado ?"

Dia seguinte, Sábado, acordo bem cedo, saio do apartamento conferir o clima, e novamente me deparo com condições muito favoráveis : Temperatura amena, sol despontando, uma brisa muito leve e o mar muito limpo e absolutamente calmo. 

Pego o equipamento, uma garrafa de água, umas bolachas (café da manhã)  e caminho novamente até o local onde se encontram as estruturas que mencionei acima. 

E a história se repete... nada de peixes, nenhuma ação, resolvo voltar para o apartamento quando sinto o sol esquentando e só então percebo que não havia levado nenhum protetor solar (burrada do sujeito apressado)...

Mais uma vez volto para o apartamento pensando : "O dia está bom, condições boas,  o que deu de errado ?"

E é justamente neste tipo de questionamento que percebemos que em um dia de pesca, seja bem ou mau sucedido, muito do que se lê vai por água a baixo, muito do que se discute tem seu valor, mas sempre de maneira muito questionável. Não, não estou de maneira nenhuma afirmando que o negócio é sair queimando tudo e dando as costas as discussões. 

O que não podemos perder de vista é justamente o lado prático da pesca com mosca ! Todos que tem poucas oportunidades de sair para pescar (como eu por exemplo) encontram nos livros, revistas e sites, uma boa forma de cultivar o "vicio" na modalidade. Porém nada como sair para pescar e aprender com o meio ambiente do local, o que funciona e o que não funciona...

2 comments:

junior said...

Tudo bom?
É meu primeiro comentário por aqui, mas tô sempre lendo seus posts. Nesse em particular, você escreveu coisas muito parecidas com com as que eu escrevi no meu último, isso demonstra que o meu (e o seu) pensamento faz muito sentido, bem legal.
Em tempo, parabéns pelo blog, é bem difícil encontrar mosqueiros "escritores".
Um abraço

jguszr said...

Junior,

Obrigado pelos comentários !

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