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14 March 2009

Malleo e A Truta

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


Aguardei a chegada do Mauro para ver que conjunto de caniço e carretilha eu utilizaria naquele dia. Bambu ou Carbono ? Se fosse um rio pequeno, bambu... Se fosse um rio maior, carbono. Atualmente prefiro pescar com caniços de bambu. Porém gosto da comodidade que um caniço de carbono proporciona em arremessos maiores, principalmente na pesca embarcada.

Chega o Mauro e nos informa que o rio do dia era o Malleo. Sem dúvida nenhuma, Bambu. Pego o caniço e a carretilha, junto com o resto do equipamento, rapidamente saimos da hosteria e nos colocamos a caminho do Malleo.

Da primeira vez que estive no Malleo, não fui tão feliz quanto gostaria. Não peguei tantas trutas quanto esperava, porém tinha aprendido muito com o rio. "O Rio do Livro", como diz o Alejandro. As trutas comem atráz das pedras, ao fim de cada "rápido", perto da espuma, e tudo mais que se lê em livros de pesca com mosca. Em particular eu esperava um dia de pesca um tanto técnico, tenso e possivelmente com poucas capturas.

De todos os trajetos entre a Hosteria Chimehuin e os pontos de pesca, os que mais me facinam são os que passam as margens do Malleo. O contraste entre as formações rochosas, que são percebidas e entendidas de acordo com a imaginação de cada um, com o rio que segue serpenteado aquela paisagem quase que extra terrestre. O Vale Lunar como dizem alguns.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


Rio lotado, muita gente pescando em todos os primeiros tramos do Malleo. "Mas que coisa !" exclamava o Mauro, "Vamos mas a frente, mas a frente há pontos muito bons". Dez minutos mais, longe das áreas de acampamento, das propriedades mapuches, das escolas e tudo mais, descemos do carro, e muito rapidamente começamos a preparar o material para este primeiro tramo.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes



Tramo muito interessante por sinal, formado dois ou três poços à direita e um rápido seguido de alguns trechos mais profundos a esquerda. Luciano, vai tentar a sorte a esquerda, enquanto eu e o guia seguimos para os poços a direita.

Enquanto atravessávamos um pequeno trecho de água, de maneira a alcançar uma boa posição para castear, reparávamos nos insetos que eclodiam em todo o trecho do poço. "Adams ! Adams e mais Adams. Griz e marrom. Tem alguma ai ?", me pergunta o Mauro. Enquanto terminava de me firmar, começo buscar adams parachute bem pequenas. "Mais um dia de moscas pequenas" é a primeira coisa que vem a mente. Localizo então uma pequena parachute marron a qual elegemos para começar o dia.

"Que delicia de pescaria", penso, cinco minutos depois do primeiro cast. Não, eu não tinha pego nenhum peixe ainda. Porém era uma pescaria muito gostosa de se fazer, muito bonita também. Pescaria de cast curto, com caniço de bambu não tem igual. O caniço carrega sem pressa, você atira a linha a frente, fecha o loop com a mão esquerda, a linha cai vagarosamente na água, logo em seguida, a mosca pousa suavemente, desliza esticando o leader e o resto do fly line. Algumas ações e a captura de pequenas trutinhas marrons completam o cenário.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


E seguimos pescando, casts curtos, corrigindo levemente o posicionamento da linha, prestando muita atenção. Provamos todo um poço sem nenhuma ação, sem qualquer movimento. Sem desanimar, sigo casteando. Alguns passos a frente já ao fim do poço, bem junto a margem oposta, começa um pequeno rápido. "Promissor o ponto", penso, enquanto abria a boca para perguntar ao Guia o que ele achava, eme me diz, "Uma Midge, a menor que tiver, ali, um pouco antes da espuma".

Mosca atada ao também reformulado tippet, e lá vai o cast. Vai mais um. E outro. E mais um. E finalmente, quando a midge começa a derivar, o leader estava começando a carregar o fly line. "Trucha ! Trucha ! Trucha ! Grande !! Muito linda". Não penso, sequer respiro, literalmente levanto a vara com toda força. Na ponta da linha uma Trutona Marron. O Caniço vibra, verga, canta a linha entre os passadores. Eu tento manter a calma. A Truta pula ! E Pula de novo ! Sigo recolhendo a linha. E ela pula ! E derrepente a linha fica leve, o caniço não verga mais. Meu troféu se foi... Eu não acreditava, Mauro me pergunta o que aconteceu, estava tão emputecido que não conseguia responder. "Só espero que não seja o nó que abriu", penso. Instante depois, examinando todo o conjunto, descobrimos que o Anzol tinha aberto, estava parecendo uma agulha. "Comprou anzol de oferta ? " Me pergunta o guia já dando risada da minha cara, respondo "Acho que foi ! hehehe".

Encontramos com o Luciano, que nos relata suas capturas, e entramos no carro para mudar de ponto. Seguimos mais por mais uns vinte minutos. Mais uma vez, os pontos próximos da onde estávamos já estavam todos tomados por "Yankees" como dizia o Mauro. Encontramos o que parecia ser um bom ponto. Mauro para o carro e rapidamente vamos para as águas do Malleo terminar a manhã de pesca.

Este segundo tramo, estava com as águas ainda mais claras, pouca sombra, água muito calma. Um verdadeiro desafio. Nos separamos, novamente, Luciano vai a esquerda e eu a direita. Notamos uma pequena eclosão de caddis. "Já sei, a menor que eu tiver !", digo ao Mauro, "Que bom ! Está aprendendo ! hheheh", me responde. E vai um cast, corrige a linha, corrige novamente, recolhe, seca a mosca e recomeça. "A água está muito clara. Dá para ver a sombra do leader no fundo", me diz o Mauro. De fato, a sombra estava completamente visível ao fundo, refletindo perfeitamente seu posicionamento. Sigo pescando, e nada. "Meu troféu se foi", "Acho que de agora para frente, não sai mais peixe", fico pensando já meio desanimado.

Quando chega a hora de nos reunirmos para almoçar, enquanto caminhávamos a beira do rio, começo a prestar atenção em um pequeno braço de água clara e profunda, abrigada por uma formação de pedras e vegetação, sem nenhum movimento de superficie. Sem espuma, sem galhos caidos, sem "rápidos". Dez metros a nossa frente avistamos o Luciano casteando no leito principal do Malleo. Olho para a mosca, e resolvo ir casteando nesse braço de águas calmas. De passo em passo avistávamos pequenas trutas serpenteando ao fundo do lugar.

"A água está muito clara, olha como seu leader está espantando as trutas", me diz o Mauro. Não dei muita bola, a cada dois passos, fazia um cast curto. Estava me divertindo com a curiosidade das trutas. Cada vez que a mosca pousava na água, ao menos uma trutinha se aproximava, estudava a mosca e batia em retirada muito rapidamente.

O Luciano já tinha recolhido o material, enquanto nos aproximávamos, vi uma truta pequena bem próxima a pequena parade que limitava o poço. comecei a castear, "Gustavo ! Tem uma bonita aqui ó ! ", Olho para o Luciano e ele me aponta a direção, muito próximo da nossa posição bem a cerca da margem da onde nos encontrávamos, não mais de três metros.

Recolho um pouco de linha enquanto troco a direção do cast. Se quer lanço a linha, apenas deixo-a cair próxima a margem. O Fly line cai próximo ao meu pé e se estende a esquerda, levando o leader a cair sobre um pequeno juncal, sem tocar na água. Um pequeno trecho do tippet leva a mosca a tocar suavemente na água, alguns centrimetros a frente do juncal. Penso em recolher e lançar novamente.

"Deixa ai !! Deixa ai !! Não meche", me diz o Luciano, quase sussurando. Recolho um pouco do fly line. O tempo muda de compasso e correr lentamente. Não tiro os olhos da mosca, que permanece ali, parada. A Truta se aproxima calmamente, serpenteando em "slow motion" até a mosca. Ela para, examina sua presa. Aperto o grip do caniço. A Truta sobe e para. Engulo seco.

A Truta sobe, abre lentamenta a boca e toma a mosca suavemente. Exito. Ela desce. Eu Fisgo. Ela corre para o fundo do poço. Aplico um pouco de pressão no caniço, acho que alguém fala alguma coisa. Não escuto. "Espero que este anzol seja melhor que o outro, espero que o nó não Abra. Espero tirar a Truta" sigo pensando um tanto tenso. De um lado a outro do poço A Truta corre, despertando outras pequenas trutas que por ali se encontravam. Lentamente recolho a linha, que por vezes era novamente esticada pela Truta. E o tempo volta a seu rítimo normal...

O guia entra no poço empunhando o net, se posiciona, e gentilmente dirijo a truta até ele. Já segura, tomado pela euforia tipica do pós captura, saco a máquina fotográfica para registrar a ocasião. Depois da foto, a Truta e calmamente devolvida. Assim que se solta das mãos do Mauro, calmamente, volta ao juncal próximo a margem que estávamos e desaparece. "Meu Troféu se foi... Agora sim ! Agora sim pesquei de verdade" penso um tanto realizado.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


From Patagonia 2009 - Junin de los Andes



Paramos para almoçar, e seguimos a tarde pescando, ora em pontos onde capturamos mais trutas médias e pequenas, ora em trechos sem nenhuma atividade. E o dia seguiu, perfeito, como só um dia de pescaria pode ser.

Não foi a maior truta da minha vida, seguramente não foi. Não sei dizer o quanto pesou, ou quantos centímetros media. Ainda sou novo, creio ter muitas temporadas de pesca no futuro. Mas seguramente afirmo que A Truta, entrou para a minha história, nunca vou me esquecer dela.

Possivelmente, meus netos, um dia, vão escutar a história da Truta que fez o tempo parar.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes

08 March 2009

Patagonia 2009 - O rio Chimehuin

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes



Mal tinha dormido. Noite fria, com certeza a noite mais fria da temporada, além da pança cheia, aliada a perspectiva do primeiro dia de pesca, que me tirou o sono quase que por completo. Até tentei dormir mais um pouco... Em vão, calhou que com o dia ainda muito escuro, não me recordo que horas eram, acabei saindo da cama, e fui tomar café.

Me dei conta que era de fato muito cedo quando entrei no "comedor" da hosteria chimehuin, e o lugar estava vazio. Até o rapaz que veio me atender acho estranho alguém ir tomar café aquela hora. Enquanto tomava o café da manhã, que diga-se de passagem é bem gostoso e ajuda bem a começar o dia, olho para tráz e vejo o Dr. Luciano descendo de um taxi. "Pronto !" pensei, "agora só faltam as trutas !!".

Depois de recepcionar o parceiro de pesca, e finalizar o café da manhã, enquanto me aprontava para o dia de pesca, o Luciano me contou de sua aventura de taxi desde o aeroporto de Bariloche até Junin. Acertamos como seria o dia de pesca, o Luciano precisava comprar um wader e botas de vadeio, logo, enquanto ele corria atráz desses itens durante a parte da manhã, eu iria pescar com o guia Mauro, e nos encontraríamos na pousada na hora do almoço.

E assim foi, alguns instantes depois chega Mauro, o guia, um sujeito bacana, que está em seu primeiro ano de trabalho com o Alejandro. Vamos então em direção a San Martin. Depois de uns 15 minutos de estrada, Mauro estaciona o carro, e vamos ao rio.

O Chimehuin é um riozinho que me surpreende sempre. Da outra vez que o visitei, não tive oportunidade de pescar de vadeo, e na ocasião, ambas as flotadas que fizemos, foram fantásticas, logo eu tinha uma grande expectativa em relação ao este rio.

Enquanto montava o equipamento, ouvia com cuidado as recomendações e conselhos do Mauro. Na realidade quase que uma repetição de tudo que o Alejandro já havia me adiantado. Quando estava com quase tudo pronto, Mauro averigua meu leader, e me diz : "Está curto, tem que ter uma vez e meia o tamanho do caniço". "OK, termino com 4x ou 5x ?" respondo, "6x está bom"


Entramos no rio, e antes do primeiro cast, identificamos uma eclosão próxima a margem oposta da onde estávamos. Mauro me pergunta se eu tinha uma adams parachute em anzol 20, digo a ele que a menor que tenho é em anzol 18. " Vamos tentar " ele me responde.

E começa a pescaria ! Estica a linha, cast, cast, lança, apresenta... "Um metro más" me diz o guia. Cast, cast, lança, apresenta. "Tem que corrigir a linha antes de cair na água, a mosca está dragando muito rápido". Cast, cast, lança, corrige, apresenta, mending mending mending, "Trucha !" Grita o Mauro. Fisgo tarde de mais ! E recomeça o Jogo...

Cast, cast, lança, apresenta, mending, mending, mending, Mending. Nada ! Mosca Dragou...
Cast, cast, lança, apresenta, mending, mending, mending, Mending. "Trucha !", fisgo errado mais uma vez ! "Devia ter tomado mais café !" foi o que pensei depois de perder duas oportunidades muito próximas uma da outra.

Uns passos acima, identificamos uma pequena eclosão de caddis. Trocamos a mosca por uma Elk Hair Caddis em anzol 16. Grande, segundo o guia, mas era o que eu tinha em mãos. E vamos trabalhar !

Cast, cast, lança, apresenta, mending, mending, mending, Mending... Nada...
Cast, cast, lança, apresenta, mending, mending, mending, Mending...Nada...

Um passo acima, lanço a linha um pouco mais dentro do salseiro. A mosca mal bateu na água e uma truta sobe. Sobe em "Slow Motion", Abre a boca, pega a mosca e desce. Fisgo ! "Trucha ! Trucha ! Trucha !!" Grito ! A primeira da temporada, na ponta da linha, "Esta noite vou dormir bem melhor !".

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


From Patagonia 2009 - Junin de los Andes

E segue o resto da manhã, agora um pouco mais relaxado, seguimos casteando, apresentando, e corrigindo (mending), e trocando de mosca sempre que identificávamos eclosões onde haviam trutas ativas. Ainda muito desatento, perdi uma quantidade considerável de trutas.

Na hora do almoço, voltamos a Junin, fazer o lanche, e bucar o Luciano, que em breve se juntou a nós para comer algumas empanadas, salada, e umas carnes. Tudo muito simples, mas tudo muito bom.

Voltamos ao Rio, de volta a batalha ! Luciano foi pescando rio a cima, e eu me adiantei um pouco mais para voltar pescando rio abaixo. Durante a tarde, a pescaria ficou um pouco mais técnica, ao menos no trecho de rio em que eu estava pescando. "Tem alguma midge ai ?", me pergunta o Mauro. Tiro do bolso o menor fly box que trouxe na viagem, aquele que eu achei que nunca iria usar. Selecionamos uma, alongamos o leader, que agora estava com tippet 6x na ponta.

Se pescar com mosca seca em anzol 18, anzol 20 já é complicado. Pescar com midges em anzol 22, 24 representa um desafio. E não é apenas uma questão de ver onde está a mosca. É toda uma técnica refinada de acompanhar a mosca, evitar o drag e principalmente, ter a calma e a atenção de fisgar no instante exato, mas com calma, sem precipitação, afinal as midges são apenas um ponto derivando na correnteza, tem que esperar a truta fechar a boca e descer. E quem é que tem o sangue frio de esperar ?!

A tarde seguiu, tão perfeita quanto poderia ser, peguei algumas trutas mais, todas pequenas, trutas de "palmo", arco-íris, marronzinhas com cores bem acentuadas. Em cada truta um pouco mais de conhecimento, um pouco mais de experiência.

"Tenho que batalhar cada truta", pensei enquanto caminhava para fora do Chimehuin. "Tenho que ficar mais atento". O primeiro dia de pesca, representa sempre o desafio de se adaptar as condições locais. Por mais preparado que você esteja, por melhor que sejam seus equipamentos e moscas, por mais experiência que você tenha, a soma de todos estes fatores representa meros 50% de uma pescaria. Os outros 50%, dependem única e exclusivamente da natureza.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


De volta a hosteria, combinamos com Mauro como seria o segundo dia, nos despedimos, e conversávamos sobre o que funcionou sobre as condições de pesca, capturas, piques perdidos, e tudo mais que ajudou a compor um dia de vadeio no Chimehuin...

16 September 2008

Para quem gosta de EVA

Essa mosquinha padrão "Patagônia Chilena" de Dry/Terrestrial é bem bacana, usa materiais fáceis de serem encontrados e ainda me parece ser bem simples de atar !!

Achei promissora para algumas pescarias aqui no Brasil também ! Vale a tentativa !
Para ver as técnicas de como pescar com a mesma, vale a visita no excelente Rios y Senderos


Fly Magazine - Atado de un escarabajo paso a paso from RiosySenderos.com on Vimeo.

17 August 2008

Ausentes 2008 - Bem diferente !


Voltei de São José dos Ausentes a pouco, e posso dizer que o lugar continua excepcional ! Receptividade nota 1o na pousada Cachoeirão dos rodrigues (como sempre) bem como a famosa acolhida pelas demais pousadas da "Rota dos campos de cima da serra"

Quanto a pescaria, Este ano foi absolutamente diferente dos outros anos que estive por lá ! As famosas Montanas, Bead Head Prince, pancora e hares ears não surtiram o efeito esperado. Porém, e surpreendentemente as secas como Elk Hair caddis, Adams parachute, e acreditem ou não Stimulator (Aquela grandona de usar em lago) fizeram a festa !

Outra surpresa também, foi encontrar trutas velhas, de temporadas passadas, já totalmente adaptadas ao rio silveira, com nadadeiras e coloração que de nada lembram as trutas de cativeiro.

Seguem algumas fotos :


Temporada 2008


Primeira truta ausentina de 2008 ! Elk Hair Caddis !

No Próximo Post, algumas informações gerais sobre ausentes !

16 April 2008

Tremedeira !

Este post é dedicado a todos os colegas Mosqueiros que curtem uma boa pescaria de truta na mosca seca ! Ver essas trutas subindo calmamente, mostrando todo o dorso e depois a cauda é de dar tremedeira !

Por sinal, o video eu achei no tv.aegmedia.com, excelente fonte de vídeos de pesca com mosca, ainda que um pouco desorganizado, mas excelente em termos de conteúdo !!

Divirtam-se !







14 April 2008

Caviahue - Equipamentos e moscas




Conforme o prometido no post anterior, segue a lista de equipamentos e moscas utilizados em Caviahue. Como os colegas poderão notar, não é nada de mais, tanto em termos de caniço, linha e até as moscas.

Caniços : Recomendo levar um leve, e um mais parrudo, algo como um 3 e um 6 atendem muito bem. Lembrando que, o caniço mais parrudo tende a ser utilizado durante a maior parte do tempo. No meu caso, usei uma #3 Bambu do Beto Saldanha, e uma #6 ação "Truteira", porém as situações de apresentação delicada, são até escassas então um caniço "violento" também vai bem.

Carretilhas : Na realidade, tanto faz... Para a Lago Trolope, uma carretilha com freio bacana é legal, pois existe uma grande chance de você engatar trutas de bom porte que vão até exigir freio. Enfim, tanto faz... Independente do fato de você utilizar spool extra ou uma carretilha para cada linha, esteja sempre pronto e disposto a trocar de linha rapidamente, as condições variam de um minuto para o outro.

Fly Line : Sinking tip compatível com o caniço mais pesado, Coisas como Teeny funcionam muito bem ! Uma razão de "Afundamento" (ou de "profundização" como diria Jânio Quadros) rápida é muito recomendada para os lagos e trechos de rio mais profundo. E claro, Linha Float para ambos os caniços, nada muito agressivo como shooting, mas também nada muito light quanto um DT, WFF está de excelente tamanho.

Moscas : O grande diferencial ! Moscas !! Bom para pescar de fundo, não tem muito segredo, Woolies, Muddlers, Marabou Muddlers, Zonkers, Bunnies, Streames de Zonker também. Disparadamente, a cor café foi a mais produtiva !! Zonkers em cor Café foram disparadamente a melhor mosca para se pescar no fundo. Já no departamento das moscas secas, Madam X com patas pouca coisa maior, para dar bastante movimento foi matadora. Terristrials, formigas de EVA (não tão gigantes quanto as chernobills) e assemelhados também deram bons resultados. Elk hair caddis, adams, Adams parachute e Humpy sempre em marrom e bege deram bons resultados também ! O tamanho das secas varia muito de 14 até 18 me pareceu adequado. as terrestres em 10 e 12

Leaders e Tippets : A recomendação do guia era se utilizar leaderes de 9 pés 2x com tippet 3x. Por mera teimosia (que teve seu preço) utilizei leader 4x com tippet 5x... Vai do gosto também ! Para os dias de pescaria com secas menores nos tramos mais secos e curtos do rio Trolope, faltou leader e tippet de fluocarbono...

Indumentária Mosqueira : Wader, Wader shoes, Anorak leve, agasalhos e abrigos de montanha também são muito recomendáveis. Dependendo da época pode-se enfrentar um frio um tanto mais intenso, logo vale a pena consultar o guia na semana anterior a viagem. Minha impressão sobre o clima lá é um tanto simplista, como se segue : Temperaturas mais baixas que Junim, lembra ausentes no fim de junho, mas não chega a ser de "congelar a alma".


24 March 2008

Sras e Srs, com vocês Madam, Madam X !


   A mosca seca que fez a diferença na pescaria de Caviahue ! Principalmente em tons mais claro (branco, amarelo claro e Elk natural) foi muito produtiva e realmente levantava as trutas !
Até então nunca me tinha dado ao trabalho de atar este padrão. Porém, depois deste ano, resolvi aprender o atado dela e fazer algumas tentativas. 
No próximo fim de semana, tem pescaria, vamos ver se a Madam X levanta uns blacks também !
Segue o link com uma receita de atado, que apesar de estar em inglês, está bem simples de ser seguida ! 

23 March 2008

Patagonia 2008 - Entre Cordilheiras e Trutas - Parte 3

Depois de quase 12 horas de pesca consecutivas no lago trolope seguida por um bife de chorizo sem igual (tão bom que merece um relato a parte !), o terceiro dia de pesca despontou meio preguiçoso no horizonte. Mas como está no hino nacional "Verás que o filho teu não foge a luta", depois de um bom café da manhã já estávamos todos prontos para a pescaria do dia.

Para o terceiro dia, o guia havia programado duas pescarias bem diferentes entre si, separadas por um churrasco patagônico na sede da estância Trolope. A primeira pescaria se daria na Laguna Acharosa. Esta laguna é a única da região dominada pelas fantásticas trutas Fontinallis.
Depois do almoço a idéia era voltar ao rio trolope (mesmo do primeiro dia) mas em um tramo mais a frente para podermos então pescar com equipamentos mais leves e principalmente, mosca seca !

Logo ao chegar na laguna, notamos que o lugar parecia ser mais abrigado do vento, fator que nos animou muito a preparar rapidamente o material, e começar a caminhar em direção a laguna.

Laguna Acharosa : A promessa de trutas fontinalis


A pesca na laguna acharosa, se dá em meio a juncais e a outros tipos de vegetação presente em toda a extensão da laguna. A idéia é achar de maneira calma e silenciosa uma boa posição para se arremessar, estando você pescador no meio do juncal, ou ainda, à poucos metros da margem. A dificuldade do lugar se apresentava justamente ao se chegar perto das margens da laguna. Um barro movediço não permitia que você ficasse parado por um intervalo de tempo considerável num determinado ponto. Depois de alguns segundos, você se encontrava afundando ! E quanto mais se mexe, mais se afunda ! e dai não tem jeito, tem que recolher o material e chamar alguém para ajudar !

Finalmente, depois de encontrar um ponto que me permitia arremessar sem me ver preso e afundando na lama, comecei a pescaria de verdade !


A Fontinalis é uma truta guerreira ! Quando fisgada, corre para o fundo e começa a "cabecear" feito louca. Neste momento, o negócio é manter a calma, a pressão da linha e ir trabalhando o peixe bem calmamente. Foi justamente a falta de todos os itens acima que me fez perder umas tantas trutas ! Hora era o tippet que estourava (4x), tive até um anzol aberto...

Mas, com o tempo e com um pouco mais calma na fisgada e na briga, saco minha primeira fontinalis da laguna acharosa. A primeira e a maior do dia também !

Finalmente uma Fontinalis !


Ô Truta linda !


A cor é incrível !


Depois de mais algumas capturas, mudamos o ponto de pesca para a margen oposta da laguna, pois era possível observar as trutas subindo e comendo pequenos insetos que caiam no espelho de água.

Pescaria 100% no visual, você tinha que se aproximar da margem sem deixar tua sombra entrar na água, com a ponta do caniço para baixo e no maior silêncio possível ! Não havia como tentar a mesma truta duas vezes ! Ou mandava o cast certo logo de primeira ou já era !

E é neste cenário de pesca altamente técnico que se separa quem realmente gosta de pescar com mosca dos demais. Você chega, faz seu cast, apresenta a mosca, a truta sobe, e..., e... NADA ! Dá lugar para o outro mosqueiro tentar... No meio tempo troca a mosca, verifica o líder, os nós e vai de novo ! Um verdadeiro aprendizado ! meu melhor resultado foi fazer com que uma fontinalis baby subisse em uma elk hair caddis e batesse muito forte nela ! Realmente muito legal, uma batalha para conseguir fisgar uma trutinha tão pequena !

Porém, ano que vem volto a laguna acharosa, mais treinado e mais experiente e vou fisgar umas maiorzinhas na seca !

Com a proximidade da hora do almoço, e a fome apertando, resolvemos encerrar a pescaria e seguir para a sede da estância Trolope, onde um "Chibito" (Cabrito) assado ao estilo patagônico nos aguardava !

Confesso que a idéia de comer um cabrito assado não me atraia, já tinha experimentando antes e sempre achei a carne com um sabor muito forte e de odor igualmente forte ! Bom, para encurtar uma longa história, paguei a lingua ! o Assado foi show de bola !!

O Assado patagônico


O Maestro Assador no trabalho !


Toda a turma na "complexa" arte de se comer um assado patagônico !


O difícil mesmo, foi continuar a pescaria depois desse almoço ! Numca uma ciesta foi tão necessária como dessa vez !

Depois de uma rápida ciesta e de comer mais algumas frutas assadas na parrilera, tomamos o caminho para o tramo do rio Trolope que estava reservado para a parte da tarde. Particularmente este era o momento que eu de fato estava aguardando desde o começo da pescaria ! Pescar com moscas secas grandes e terrestrials usando casts um pouco mais longos do que o que estou acostumado.

A tarde teve um começo complicado, novamente acertar o ponto do arremesso e a apresentação correta da mosca eram os grandes desafios a serem encarados. Trabalhar o arremesso no ponto certo, até que não foi tão complicado, já a apresentação da mosca foi realmente uma tarefa complexa a ser superada.

As margens do rio Trolope são cercadas por juncais, diferente da região de junin onde os rios são abundantes em salses em toda sua extensão, os rios de Caviahue só tem juncais e vegetações rasteiras cercadas por margens lamacentas. Explicada a morfologia do rio, a estratégia de pesca aqui fica um pouco mais clara.

Basicamente, para cada linha de arremesso, apresentava-se a mosca em quatro ou cinco pontos distintos : a cerca da margem que estávamos, um par de metros a frente, ao meio do rio mais a cerca da margen oposta e por último o grande desafio pôr a mosca bem no meio do juncal.

Neim meia hora de pesca se passou para percebermos que o esquema bom mesmo era jogar do outro lado da margem, muito mas muito perto dos juncais mesmo. As outras posições até rendiam ataques, mas eram um tanto mais tímidos e de baixa freqüência.

Usando sempre umas moscas secas grandonas tipo Madam X, e umas variações locais da mesma, e muita concentração começamos a empreitada de capturar trutas arco-iris na seca ! Usar essas mosconas com patinhas de borracha foi uma tremenda novidade para mim ! Totalmente diferente de se pescar com moscas secas menores, onde qualquer movimento a mais do caniço causa um distúrbio indesejado na mosca, essas mosconas secas requerem toques na linha de forma bem leve para que a mosca adquira "vida" por alguns instantes.

E que adrenalina foi essa pescaria ! Você avista uma truta, põe a linha no ar, decola a mosquinha, e atira ! Mosca na água , A truta não deu a mínima atenção para a mosca, você dá um toquinho na mosca e espera ! Espera mais um pouco e dá outro toquinho e derrepente a truta sobe sem a menor cerimônia na mosca !

Essa situação que acabei de descrever, é pesca 100% no visual, onde a precisão e a apresentação do cast mandam no jogo. Hoje, parando para pensar naquela tarde, penso que eu estava com um material muito pesado. Um conjunto #6 com uma linha float chamada de High performance (depois entro em mais detalhes), que carrega o caniço que é uma beleza, mas para uma situação como a que se apresentou, talvez um equipamento mais leve com uma linha mais leve, fosse o mais indicado.

Uma idéia do lugar


Arremesso no 1o. juncal


Acertando a mão no arremesso


E Adrenalina seguida de Truta !


Um par de passos a frente e mais adrenalina com truta


E assim termina o 3o. dia de pescaria ! Com uma pescaria de mosca seca regada a adrenalina, muitas fisgadas perdidas, muitas moscas perdidas no juncais, mas com uma alegria sem comparações de ter capturado algumas trutas da forma com que me desafiei a fazer !

Em breve o 4o. dia de pesca : Mosca seca na varinha de bambu !


02 February 2008

Necks & Saddles : emprego e conservação



Quando comecei a atar minhas próprias moscas, o material que mais tive dificuldade de achar, foram as penas necessárias para fazer o colar (Hackle) das mosquinhas menores. Tentei uma série de penas "alternativas", penas de pardal e etc. Até me convencer de que era de fato necessário investir uma grana, no material adequado, pois minhas moscas ficavam todas desproporcionais e meio tortas.

Se as mosquinhas tortas tivessem dado resultado no rio, talvez eu não me importasse, mas nunca deram ! E só depois de umas duas ou três tentativas frustradas comecei a correr atráz de mais informações e principalmente de comprar penas decentes.

As primeiras penas bacanas que comprei foram duas metades de saddle Cape genético da Whitenning farm e um Neck de Hen da mesma empresa. Logo ao abrir o pacote, a diferença de qualidade já fica muito clara. Porém, nessa época, eu até sabia que um saddle não era a mesma coisa que um neck e das diferenças entre Hen's Capes naturais e genéticos. Depois de ler um pouco sobre o assunto em alguns livros e sites na internet, descobri que a coisa e bem diferente do meu primeiro "palpite sobre o assunto"

Logo, vamos ao básico sobre penas, galos e galinhas
  • Cape : Ou seja, o chefe do galinheiro ! O Galo, tem penas mais estreitas e com cerdas dispostas em "V" ao longo da haste, sempre com as terminações em ângulo bem agudo. Além da disposição das cerdas, a penas de galo são mais resistêntes que as penas de galinha e possuem um brilho natural mais pronúnciado. Possui ainda, pouquíssima pluma no início da haste. A principal utilização é a confecção de hackles.

  • Hen : A mulher do galo ! A galinha tem penas largas e menores em comprimento, com cerdas distribuídas em ângulo mais aberto ao longo da haste. a Terminação de cada pena é ovalada. Ainda são menos resistentes que as penas de galo, e possuem muito mais pluma no início de cada haste. No geral é pouco indicada para fazer hackles, e costumeiramente utilizada em streamers e também como material de uso geral.
Bom, agora que já separamos os galos das galinhas, vamos aos necks e saddles :


  • Neck : do inglês significa pescoço, ou seja quando falamos em penas do neck, estamos nos referindo as penas que crescem ao redor do pescoço das aves. Um bom cape neck, tem penas compridas e finas, com quase nenhuma pluma e haste bem firme. ao longo couro, as penas devem crescer gradativamente, indo de penas bem miúdas (aquelas para anzol #24, #28) até penas bem maiores (para streamers médios por exemplo).
  • Saddle : A tradução literal de Saddle não faz muito sentido em português, mas é o correspondente as costas do animal. Nesta região, crescem as penas maiores, geralmente utilizadas para streamers e coisas maiores. Um bom saddle, é estreito e bem comprido.
Além dos galos e galinhas criados naturalmente, os quais representam em média 40 anos de evolução nas espécies utilizadas para a produção de penas, hoje ainda contamos com produtores que fazem uso da genética para aprimorar a qualidade das penas.

A Whitenning farm, principal criadora de galos e galinhas genéticamente modificados, iniciou sua operação contando com 4 grupos distintos de animais, os quais eram criados anteriormente de maneira natural sem intervenção genética.

Qual a vantagem de se empregar necks e saddles genéticamente modificados ? A intervenção genética, permite aprimorar as características desejadas do animal, no caso as penas, de maneira muito mais eficaz e rápida do que a simples "cruza" de animais de grupos distintos.

Tomando por exemplo os galos genéticamente alterados , estes produzem penas muito mais longas e estreitas e proporcionais. Para o atador, penas longas e que reservam as mesmas características do início ao fim representam uma grande econômia, uma vez que é possível atar mais moscas com a mesma pena, reduzindo perdas.

Além das características já citadas acima, os galos e galinhas alterados genéticamente contam com um maior controle sobre características tais como cor, brilho e resistência da haste. O criador consegue ter um bom controle sobre a cor dos animais, ofertando aos atadores, cores consistentes ao longo dos tempos, bem como, introduzir novos padrões de cores ao longo dos anos.

Inicialmente os produtores investiam apenas em obter necks de boa qualidade, como efeito colateral deste aprimoramento, os saddles também evoluiram. Hoje em dia, um bom saddle genético possui penas de qualidade tão próxima as encontradas nos necks, que muitos atadores profissionais fazem uso do saddle em uma grande variedade de moscas que antes demandavam o uso de penas de neck.

Mas e agora ? Compro neck, saddle, galo ou galinha ?

Tudo depende das suas necessidades. De acordo com as moscas que você mais ata / utiliza, pode-se optar por comprar um saddle ou um neck ou um pouco de cada. Mas vamos, em linhas gerais, delinear o que comprar baseado no tipo de atado :
  • Midges : Neck natural, os neck genéticos não contam com penas tão pequenas
  • Ninfas, Secas, emergers e moscas clássicas : Neck, sem sombra de dúvidas. Se você ata estas moscas sempre do mesmo tamanho ou com pouquíssima variação, em anzóis 16 e 18, vale compensa investir em necks genéticos, pois o aproveitamento é bem maior.
  • Wets, Ninfas Stone, Secas grandes, terrestrials mais "Patagônicos" : Neck também ! Porém, dada a variedade de tamanhos e a necessidade de penas maiores, um Neck Natural seria de maior serventia. Talvez, ainda valha a pena investir num bom saddle genético para complementar.
  • Woolies, Streamers, bugs e poppers : Um bom Saddle genético ! Além de penas de galo e galinha "normal" mesmo...
  • Todas as alternativas acima : Necks naturais e Saddles genéticos.
Vale lembrar ainda, que comprar um neck ou um saddle, é quase um investimento a longo prazo. Um neck, tem muita, mas muita pena mesmo e rende muito, um neck genético rende mais ainda !

Na minha opnião, vale mais a pena comprar 1/2 neck ou ainda 1/4 de neck de cada cor/padrão necessário, do que comprar apenas um neck de uma única cor, e ficar limitado. Diversas marcas oferecem necks e saddles fracionados a preços mais interessantes. Porém, sai ainda mais enconta comprar um neck ou saddle inteiro e dividir entre dois ou três colegas de atado.

Uma dica é sempre prestar atenção se as penas ainda estão presas a pele do animal ou se estão grampeadas na embalagem. Necks e saddles de qualidade sempre vem presos a pele do animal. E ainda, por algum motivo que não sei precisar, as penas tem maior durabilidade quando estão presas a pele.

Para conservar os necks e saddles basta manter estes nas embalagens originais, ou em sacos plásticos, preferencialmente hermeticamente fechados e ainda com material secante, silica gel por exemplo, sempre de maneira individualizada, evitando assim passar bolor entre as pe;as.

Mais referências na web :


10 December 2007

Clínica de Atado com Gerson Kawamoto.


No dia anterior a clinica de Arremesso, o Betinho também promoveu uma clínica de atado também com o Gerson Kawamoto, seguido de um belo almoço e também, claro, muita conversa, muita história de pescaria e muita informação sendo compartilhada !

O foco da clínica foi o atado de moscas secas, principalmente, utilizando materiais sintéticos como o EVA, material de brilho e coisas simples de se achar no mercado brasileiro.

Além das três moscas apresentadas durante a manhã, após o almoço o Gerson voltou a morsa e mostrou algumas outras variações agora em anzóis bem pequenos (bem menores que 20 e 22).

O que mais aprendi nesse dia foi  simplicidade ! A simplicidade de se atar moscas secas, em azois pequenos, usando materiais simples, de fácil acesso, e que além de tudo são muito eficientes. 

Segue então, um slide show com as fotos que fiz durante a clínica.