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26 August 2012

Ausentes 2012





Depois de 4 anos sem pescar em Ausentes, lugar que fiz minha primeira pescaria de fly "no estilo", tive a oportunidade de voltar a pescar nas águas do Rio Silveira.

Pescar no Rio Silveira é sempre uma Alegria. Na realidade a experiência toda de Ausentes é uma imensa alegria que começa na calorosa recepção na Pousada Cachoeirão dos Rodrigues até a devolução de cada truta no Rio, passando pelas deliciosas refeições, pelas taças de vinho que acompanham inúmeras horas de animado bate papo à noite. Este ano tivemos uma pescaria muito farta, com muitas capturas diárias, mesmo quando o Rio Lotou de colegas pescadores, tivemos bons resultados.



























10 March 2012

Lago Strobel : Um dia perfeito ?


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Todo mundo sabe o quão imprevisível é o clima na Patagônia : num momento temos sol, no instante seguinte entra um vento trazendo frio e uma chuvinha fina e do "nada" surge novamente o sol, e assim se vão os dias. A verdade é que você nunca sabe exatamente o que esperar, a única coisa que se pode fazer é estar muito bem preparado.

Um dia perfeito de pesca é uma joia rara... Dois, uma aberração estatística das mais improváveis... mas... mas as vezes acontece...

Dia 1 : Torpedos a flor d'água !

Ao sair do quarto pela manhã, quase não podia acreditar no que estava acontecendo. O usal vento de kilometros por hora, tinha dado lugar à uma agradável brisa fria. Tremi quando olhei para o Strobel com águas calmas, quase liso, perfeito !

Depois de um bom café da manhã, me encontrava mais uma vez trocando o leader, emendando o tippet, e finalizando os preparativos sem tirar os olhos do lago.  Tudo certo, tudo tranqüilo, me coloquei a caminho da boca do Barrancoso.  Durante algumas horas fiz diversas tentativas com pequenos streamers, ninfas, e Scuds. Tive diversas ações, especialmente com ninfas menores (16,18), dava para ver tranqüilamente as trutas perseguindo a ninfa, 100% emoção ! Agora, as trutas estavam bem mais manhosas, desconfiadas exigiam muito mais de nós !

Tive duas capturas de trutas menores, várias trutas perdidas durante a briga, sei lá, acho que eu não estava ferrando os bichos corretamente. Coisas da vida, acabei perdendo a concentração, comecei a errar muitos arremessos, e tudo mais, era hora de parar, respirar, tirar umas fotos da paisagem !

 Enquanto, tomava um pouco de água, um dos guias me pergunta se eu tinha linha floating, disse que sim, e ele me sugeriu caminhar pelas margens do barrancoso, para tentar pescar um pouco com mosca seca. Não precisou falar de novo, rapidamente troquei de carretilha, e fui caminhando pelas margens do rio de olho nas Trutas.

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Rio Baixo, muito baixo, lotado de peixes, exigia casts longos e precisos. Seguindo as instruções do guia, eu procurava por a mosca na "fuça" da truta !  Confesso que estava complicado, era o leader bater na água e as trutas saiam para todos os lados. Minha motivação era a chance de capturar uma truta grande, como as do dia anterior na mosca seca em águas rasas ! Segui casteando, trocando muito de moscas, Stimulators, Green machines, bombers, Atractors e tudo mais que eu tinha disponível no flybox.

O Grande barato é que você joga essas "mosconas", na cara do peixe, e ainda movimenta ela como se estivesse pescando tucunaré com popper na amazônia. Especialmente quando o vento aumentava um pouco, o guia recomendava puxar a mosca com força para marcar bem o movimento.

Não tive muito sucesso nessa pescaria não, muitas ações, algumas de gelar a espinha. É muito louco quando você aquele torpedo prateado nadando em águas rasas na direção da sua mosca, fazendo ondas em "V" na superfície. Derrepente, parava, e sem nenhuma consideração com a minha pessoa que estava ali na base do esforço e Fé, dava meia volta e sumia tão rápido quanto tinha aparecido.

Eu sei que parece loucura, com todo mundo pegando muito peixe no lago, na boca e nas baias, eu ali dando uma de masoquista de mosca seca... Mas eu queria muito pegar uma trutona ogra na Seca... resolvi que ia passar o resto do dia tentando, e só no fim da tarde ia para a baia pescar nas pedras só "para constar"

Foi um dia de muita ação, daqueles de fazer o coração sair pela boca, uma ou outra captura menor, mas muito divertido.


Dia 2 : Canta Carretilha !


Ao abrir a porta do quarto logo ao amanhecer, achei que continuava sonhando, céu aberto e pouco vento ! Como tinha investido praticamente todo o dia anterior no rio sem grandes capturas, resolvi preparar um segundo equipamento com linha sinking e manteria o atual com linha float... "Vai que acontece né ?".

Montei logo um Caniço #10 com linha intermediate outbound da Rio. Todo mundo achou um exageiro, e talvez seja mesmo. Mas se o vento patagônico resolvesse mostrar sua força, achei que o caniço #10 poderia me trazer benefícios.

Me distancie um pouco do grupo, e comecei a pescar com o caniço #8 com a linha float, leader de uns 9 pés aproximadamente e com umas ninfas com bead head variando entre o verde e o marron.  Não por nada, só olhei na caixa e escolhi uma isca ao acaso.

Ainda meio sonolento e bocejando, devia ter tomado um pouco mais de café, e logo em um dos primeiros casts enquanto recolhia a linha muito, mas muito calmamente, bate a primeira truta do dia ! Uma verdadeira porrada, ergo o caniço e a linha de fly se vai rapidamente entre meus dedos, fazendo com que em poucos instantes a carretilha comece a cantar... Já com o backing para fora, aperto um pouco o freio e começamos a brigar.

Eu não queria começar mais um dia de pesca perdendo o peixe na briga, então trabalhei estra truta com muita calma, deixava ela tomar quanta linha quisesse, mesmo estando muito próxima por algumas vezes, mantive a calma, e finalmente trouxe a truta para a margem do lago ! Linda Truta, muito gorda, muito forte !


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A primeira do dia !


O problema de se pescar sozinho é que não tem ninguém para te ajudar a fotografar com o seu troféu, porém, fiz algumas fotos apenas para registrar as capturas e evitar a sindrôme da "história de pescador" !

O dia tinha começado muito bem ! Sorriso no rosto, vento soprando um pouco mais forte, confiro a mosca o leader e volto a castear praticamente no mesmo ponto onde capturei a primeira, a boca do lago. Conforme o tempo ia passando resolvi ir caminhando e pescando ao longo da boca até chegar na baia mais externa do lago, lugar onde diversos outros colegas já estavam pescando.

Penso que apenas uns poucos metros à frente do lugar que capturei a primeira truta do dia, e usando a mesma mosca, ferro a segunda ! Esta bateu muito pesado e sem nenhuma cerimônia colocou a linha nas costas e saiu para o lago ! Backing pra fora, freio apertado, e mais backing a fora, me encontro na situação de ter que começar a correr junto a pedregosa borda do lago para não perder o "Bitcho" como falam os guias.

Talvez tenha sido a mais longa briga que tive até hoje ! Não sei precisar quanto tempo levou, afinal de contas, quem é que neste mundo de Deus cronometra pescaria ?!!?!?!, mas foi demorado, e cansativo ganhar a batalha ! Mas enfim, para minha satisfação, consegui trazer a danada para as margens do Strobel,  respirar um pouco e registrar a captura !

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Mais uma Ogra Capturada 

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Grande & Pesada !


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Detalhe da mosquinha ! 


Pescando um pouco mais à dentro do barrancoso, em um ponto um pouco mais profundo capturei a última grande truta do dia ! Outra briga forte, porém com menos espaço para correr, a vitória fui um pouco mais tranqüila !

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A maior do dia !





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Detalhe da Mosca : Prince com patas, MATADORA !

E acreditem, o resto do dia seguiu assim : a cada meia dúzia de tentativas, bate uma truta, briga, pula, tira o backing, e vem para a margem ! Algumas menores, mas a grande maioria do porte da primeira do dia ! Daí entendi por que os guias falam que no Strobel, a pesca acaba quando acaba seu braço ! E não é que você se acaba de tando arremessar, é na briga mesmo ! Haja braço para tanta briga com essas Trutas !


Abaixo mais algumas capturas, tanto no braço do Barrancoso quanto nas baias do Strobel :

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A menorzinha

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Meio Arisca também !


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Essa deu trabalho também ! Me fez correr a bacia toda do Strobel !






08 March 2012

Strobel : O Retorno !


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Os preparativos :

"O último dia da pescaria é sempre o primeiro dia da Próxima". "A melhor pescaria é sempre a próxima", "O Maior peixe é o que você ainda vai pescar", queira ou não, todos escutamos estes pensamentos sempre que estamos comentando sobre pescarias, sobre viagens e aventuras que a pesca esportiva proporciona, e depois de alguns anos viajando e pescando esportivamente, concluí que estes tais "pensamentos" tem lá seu fundo de verdade.

Na segunda feira, após ter voltado da amazônia, o Rubinho me liga para perguntar como tinha sido a viagem, se estava tudo OK, e tudo mais... Eu comentei : "Bom, a próxima é na Patagonia heim !", "Ele responde "Vou no começo de março para o Strobel, se quiser...", Antes de ele terminar a frase eu já tinha respondido "Tô dentro ! Me passa depois o resto das informações que eu vou marcar as férias".

E calhou que deu tudo certo mesmo, consegui as férias no escritório, fechou a viagem numa data bacana e tudo mais. Tudo isso em janeiro de 2012. Daí para frente foi tranqüilo. Atar umas Wolly buggers, umas ninfas grandes, e uma ou outra mosca seca como Green Machine e stimulators maiorzinhos.

Como eu já tinha pescado no Strobel em 2010, no Trophy Rainbow Camp, minha expectativa era de pescar com linha sinking, streamers e ninfas lastreadas e com isso brigar legal com Trutas "Ogras".

Do alto dessa expectativa, preparei moscas e equipamentos que achei mais adequados à ocasião : duas varas 8, com linhas Sinking Tip rápida (para os dias de vento muito forte), intermediate (imaginava ser a linha mais usada) e a Float (para uma ou outra ocasião). Como em 2010 houveram momentos em que o vento simplesmente tornava impossível arremessar, meio que de última hora incluí uma vara 10 com uma linha Float e outra linha Intermediate.

A Viagem :

Tudo empacotado, tudo pronto, começa a viagem que seria compotas de algumas  etapas : Uma noite em Buenos Aires, viagem a El Calafate (aéreo) mais oito horas de carro até o Acampamento no Lago Strobel.

O dia em Buenos Aires é aquela coisa toda : Uma visita no Fly shop, uma volta na Florida pra comprar umas camisetas do Boca pros amigos, e uma "Parrilada" com os amigos argentinos que infelizmente não puderam nos acompanhar nesta viagem.

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No dia seguinte, o esquema foi tomar um café da manhã e seguir para o Aero-Parque, rumo a El Calafate.  Aproximadamente 4 horas de vôo. Cidadezinha bacana, absolutamente dedicada ao turismo, ponto de entrada para aventureiros do mundo todo. De certa maneira é uma San Martin "Anabolizada", muitos hotéis "pra gringo", hosterias, e hostels para todos os bolsos.

Como não seria possível ir direto ao Lago Strobel, em função do horário de chegada em Calafate, tivemos que dormir uma noite na cidade.  O guia, no caminho do Aeroporto para o Hotel, nos avisa que a estrada estava boa, mas que infelizmente o rio barrancoso estava muito muito baixo, o que poderia acarretar em resultados ruins para a pesca. Tudo mundo já fica apreensivo, afinal de contas, até aqui tudo bem mas queríamos mesmo é peixe na linha !!

 O dia amanhece "tipicamente patagônico", frio, bonito e cheio de expectativas. Caminhotes carregadas, seguimos encontrar o resto dos companheiros de viagem para então seguir para o Strobel. Só a viagem para o Strobel é uma verdadeira aventura : são mais ou menos oito horas na estrada, aproxiamadamente 500km, com uma parada rápida para comer um sanduba.

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Parada para o lanche - Inicio da trilha da Meseta...


Diria que o menor percurso é em asfalto, a maior parte em estrada de terra em "boas condições" e o trecho  final de mais ou menos 40 kilômetros, sem nenhum tipo de estrada trilha e etc... É meter o 4x4 LOW, e na base da habilidade vencer esse trecho final. Um verdadeiro teste a saúde de sua cervical, bacia, pescoço e etc... É sério ! É muito pior do que você imagina, levamos em média 3 horas para vencer esses 40km...

A única coisa que te anima a prosseguir é a a magnífica visão do Strobel do alto da Meseta patagônica. Azul, imenso, e você sabe que tem muitas trutas lá ! Bate aquele "rush" de adrenalina, que faz com que você esqueça do tanto que você chacoalhou até aquele momento !

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A primeira visão do Strobel - Verdadeiro analgésico !


Começando a pescaria :

Chegamos no acampamento : "Jurassic Lake Loop Camp", que na realidade de acampamento não tem quase nada. é praticamente uma pousadinha de madeira, bem rústica, mas com diversas comodidades muito bem vidas tais como : Banheiros, chuveiros com água quente, energia elétrica (gerador) e não tem internet !!!!

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O mais importante, este é o único acampamento "de fato" as margens do Strobel, você caminha não mais que 100 metros e já pode começar a castear. Outra coisa muito importante é que o acampamento encontra-se absurdamente bem posicionado : justamente na boca do rio barrancoso com o Lago, permitindo então que você pesque no rio, na boca do lago, no lago, nas baias, e mais acima no rio. Na boa, Sem exageiro, é um verdadeiro paraíso !


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Bom, mal tínhamos descarregado as coisas das caminhonetes e já estávamos armando waders, caniços, carretilhas, conversando com os guias e tudo mais. como pescaríamos uma "tarde" armei apenas um caniço #8 com linha intermediate, e pedi para o Guia me indicar a primeira mosca da temporada. Curiosamente ele me indicou uma ninfa pequena.

Na beira do barrancosso o guia "Pollo" me fala : "Tá vendo aquelas manchas ali ? É tudo truta, mas como a água tá baixa, elas estão assustadas, se abaixa e casteia daqui..." Eu nunca tinha pescado de joelhos, do alto de um barranco, achei tudo aquilo muito esquisito, mas a visão das trutas nadando tranquilamente lá embaixo me fez parar de raciocinar e mandar a linha !  E no segundo cast, engato a primeira Truta !

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 Você resistiria ?

Inacreditável !  Forte, brigadora, sacou o backing muito rapidamente ! Eu estava boquiaberto, até que da mesma forma surpreendente que ela foi ferrada, a linha aliviou e ela saiu ! Puta Raiva ! Achei que o nó tinha arrebentado ou algo do tipo. Engano : Anzol Aberto ! E garanto que não era anzol Cristal de lambari não...


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Claro, o sangue sobe ! você olha para os lados e vê todos ao seu redor brigando com suas primeiras trutas da temporada. Troca a mosca, vai para outro ponto e vamos tocar um terror nessas trutas !!

 Como todos os outros companheiros estavam pescando na boca do Barrancoso, fomos pescar no Lago, na bacia mais abrigada, de costas para uma formação rochosa, branca muito bacana e curiosa, lembra um coral seco. Extremamente ásperas e cheias de pequenas fendas, esta formação é o terror do conjunto Leader/Tippet. Você vacila no backcast, pega na pedra e já era, tem que trocar o conjunto todo ! Desafio de Cast !

 Conforme fui pegando o "jeitão" de arremessar, consegui ganhar um pouco mais de distância no arremesso, o que me permitiu trabalhar os pequenos wolly buggers bem devagar, até que fisgo a primeira "Ogra" do Strobel, que toma a linha com muita força e velocidade !

 O Strobel não tem (não nesta região ao menos) estruturar submersas, arvores caídas e etc... É só um grande corpo de água aberto, logo a "Ogra" põe a linha nas costas e dispara ! "Backing Out" grita o Guia, junto com as recomendações do tipo "Deixa correr ! Deixa que corra, mantenha a pressão" E assim vai ! recolhe daqui, toma linha ali, e aquela adrenalina toda ! De jeito nenhum queria perder essa truta !

E depois de uma meia hora de boa briga, com direito a corridas, saltos, e tudo mais, trago a truta para a margem do Lago com uma satisfação sem igual !

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Na luta com a primeira "Ogra"


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Puluando igual saci...

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E finalmente posando para foto !


  Depois de liberar a primeira "Ogra", parei para dar uma respirada, conferir o estado do leader, trocar a mosca, uma wolly bugger preta em anzol #8 com bead head, voltei a pescar, agora mais animado já que tinha tirado o "dedão" !

  Mais uma meia dúzia de arremessos, e Trutra na Linha ! esta bateu bem mais ao fundo e muito mais pesado que a primeira ! Vamos para Briga, com o backing quase que todo estirado, me encontro andando por meio das pedras, mais altas, tentando ganhar alguns de linha para continuar brigando ! É um desespero insano quando você olha para carretilha e consegue ver o "nózinho ridiculo" que prende o backing no equipamento...

Depois de uma briga boa mesmo, vejo os primeiros metros do running line carretilha a dentro. Até então não tinha visto o tamanho da truta. Mais duas ou três corridas de menor intensidade, finalmente trago o troféu para a margem !

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Mais uma Ogra !

Mais comprida que a primeira e bem mais magro, esta truta "macho" foi "O" troféu do primeiro dia, me proporcionando uma luta que eu só esperava ter com peixes de água salgada ou um ou outro Tucunaré  grotesco na Amazônia... Realmente de tirar o fôlego !

E eu só ficava pensando : "Catzo ! Estamos só no primeiro dia !"




14 March 2009

Malleo e A Truta

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


Aguardei a chegada do Mauro para ver que conjunto de caniço e carretilha eu utilizaria naquele dia. Bambu ou Carbono ? Se fosse um rio pequeno, bambu... Se fosse um rio maior, carbono. Atualmente prefiro pescar com caniços de bambu. Porém gosto da comodidade que um caniço de carbono proporciona em arremessos maiores, principalmente na pesca embarcada.

Chega o Mauro e nos informa que o rio do dia era o Malleo. Sem dúvida nenhuma, Bambu. Pego o caniço e a carretilha, junto com o resto do equipamento, rapidamente saimos da hosteria e nos colocamos a caminho do Malleo.

Da primeira vez que estive no Malleo, não fui tão feliz quanto gostaria. Não peguei tantas trutas quanto esperava, porém tinha aprendido muito com o rio. "O Rio do Livro", como diz o Alejandro. As trutas comem atráz das pedras, ao fim de cada "rápido", perto da espuma, e tudo mais que se lê em livros de pesca com mosca. Em particular eu esperava um dia de pesca um tanto técnico, tenso e possivelmente com poucas capturas.

De todos os trajetos entre a Hosteria Chimehuin e os pontos de pesca, os que mais me facinam são os que passam as margens do Malleo. O contraste entre as formações rochosas, que são percebidas e entendidas de acordo com a imaginação de cada um, com o rio que segue serpenteado aquela paisagem quase que extra terrestre. O Vale Lunar como dizem alguns.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


Rio lotado, muita gente pescando em todos os primeiros tramos do Malleo. "Mas que coisa !" exclamava o Mauro, "Vamos mas a frente, mas a frente há pontos muito bons". Dez minutos mais, longe das áreas de acampamento, das propriedades mapuches, das escolas e tudo mais, descemos do carro, e muito rapidamente começamos a preparar o material para este primeiro tramo.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes



Tramo muito interessante por sinal, formado dois ou três poços à direita e um rápido seguido de alguns trechos mais profundos a esquerda. Luciano, vai tentar a sorte a esquerda, enquanto eu e o guia seguimos para os poços a direita.

Enquanto atravessávamos um pequeno trecho de água, de maneira a alcançar uma boa posição para castear, reparávamos nos insetos que eclodiam em todo o trecho do poço. "Adams ! Adams e mais Adams. Griz e marrom. Tem alguma ai ?", me pergunta o Mauro. Enquanto terminava de me firmar, começo buscar adams parachute bem pequenas. "Mais um dia de moscas pequenas" é a primeira coisa que vem a mente. Localizo então uma pequena parachute marron a qual elegemos para começar o dia.

"Que delicia de pescaria", penso, cinco minutos depois do primeiro cast. Não, eu não tinha pego nenhum peixe ainda. Porém era uma pescaria muito gostosa de se fazer, muito bonita também. Pescaria de cast curto, com caniço de bambu não tem igual. O caniço carrega sem pressa, você atira a linha a frente, fecha o loop com a mão esquerda, a linha cai vagarosamente na água, logo em seguida, a mosca pousa suavemente, desliza esticando o leader e o resto do fly line. Algumas ações e a captura de pequenas trutinhas marrons completam o cenário.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


E seguimos pescando, casts curtos, corrigindo levemente o posicionamento da linha, prestando muita atenção. Provamos todo um poço sem nenhuma ação, sem qualquer movimento. Sem desanimar, sigo casteando. Alguns passos a frente já ao fim do poço, bem junto a margem oposta, começa um pequeno rápido. "Promissor o ponto", penso, enquanto abria a boca para perguntar ao Guia o que ele achava, eme me diz, "Uma Midge, a menor que tiver, ali, um pouco antes da espuma".

Mosca atada ao também reformulado tippet, e lá vai o cast. Vai mais um. E outro. E mais um. E finalmente, quando a midge começa a derivar, o leader estava começando a carregar o fly line. "Trucha ! Trucha ! Trucha ! Grande !! Muito linda". Não penso, sequer respiro, literalmente levanto a vara com toda força. Na ponta da linha uma Trutona Marron. O Caniço vibra, verga, canta a linha entre os passadores. Eu tento manter a calma. A Truta pula ! E Pula de novo ! Sigo recolhendo a linha. E ela pula ! E derrepente a linha fica leve, o caniço não verga mais. Meu troféu se foi... Eu não acreditava, Mauro me pergunta o que aconteceu, estava tão emputecido que não conseguia responder. "Só espero que não seja o nó que abriu", penso. Instante depois, examinando todo o conjunto, descobrimos que o Anzol tinha aberto, estava parecendo uma agulha. "Comprou anzol de oferta ? " Me pergunta o guia já dando risada da minha cara, respondo "Acho que foi ! hehehe".

Encontramos com o Luciano, que nos relata suas capturas, e entramos no carro para mudar de ponto. Seguimos mais por mais uns vinte minutos. Mais uma vez, os pontos próximos da onde estávamos já estavam todos tomados por "Yankees" como dizia o Mauro. Encontramos o que parecia ser um bom ponto. Mauro para o carro e rapidamente vamos para as águas do Malleo terminar a manhã de pesca.

Este segundo tramo, estava com as águas ainda mais claras, pouca sombra, água muito calma. Um verdadeiro desafio. Nos separamos, novamente, Luciano vai a esquerda e eu a direita. Notamos uma pequena eclosão de caddis. "Já sei, a menor que eu tiver !", digo ao Mauro, "Que bom ! Está aprendendo ! hheheh", me responde. E vai um cast, corrige a linha, corrige novamente, recolhe, seca a mosca e recomeça. "A água está muito clara. Dá para ver a sombra do leader no fundo", me diz o Mauro. De fato, a sombra estava completamente visível ao fundo, refletindo perfeitamente seu posicionamento. Sigo pescando, e nada. "Meu troféu se foi", "Acho que de agora para frente, não sai mais peixe", fico pensando já meio desanimado.

Quando chega a hora de nos reunirmos para almoçar, enquanto caminhávamos a beira do rio, começo a prestar atenção em um pequeno braço de água clara e profunda, abrigada por uma formação de pedras e vegetação, sem nenhum movimento de superficie. Sem espuma, sem galhos caidos, sem "rápidos". Dez metros a nossa frente avistamos o Luciano casteando no leito principal do Malleo. Olho para a mosca, e resolvo ir casteando nesse braço de águas calmas. De passo em passo avistávamos pequenas trutas serpenteando ao fundo do lugar.

"A água está muito clara, olha como seu leader está espantando as trutas", me diz o Mauro. Não dei muita bola, a cada dois passos, fazia um cast curto. Estava me divertindo com a curiosidade das trutas. Cada vez que a mosca pousava na água, ao menos uma trutinha se aproximava, estudava a mosca e batia em retirada muito rapidamente.

O Luciano já tinha recolhido o material, enquanto nos aproximávamos, vi uma truta pequena bem próxima a pequena parade que limitava o poço. comecei a castear, "Gustavo ! Tem uma bonita aqui ó ! ", Olho para o Luciano e ele me aponta a direção, muito próximo da nossa posição bem a cerca da margem da onde nos encontrávamos, não mais de três metros.

Recolho um pouco de linha enquanto troco a direção do cast. Se quer lanço a linha, apenas deixo-a cair próxima a margem. O Fly line cai próximo ao meu pé e se estende a esquerda, levando o leader a cair sobre um pequeno juncal, sem tocar na água. Um pequeno trecho do tippet leva a mosca a tocar suavemente na água, alguns centrimetros a frente do juncal. Penso em recolher e lançar novamente.

"Deixa ai !! Deixa ai !! Não meche", me diz o Luciano, quase sussurando. Recolho um pouco do fly line. O tempo muda de compasso e correr lentamente. Não tiro os olhos da mosca, que permanece ali, parada. A Truta se aproxima calmamente, serpenteando em "slow motion" até a mosca. Ela para, examina sua presa. Aperto o grip do caniço. A Truta sobe e para. Engulo seco.

A Truta sobe, abre lentamenta a boca e toma a mosca suavemente. Exito. Ela desce. Eu Fisgo. Ela corre para o fundo do poço. Aplico um pouco de pressão no caniço, acho que alguém fala alguma coisa. Não escuto. "Espero que este anzol seja melhor que o outro, espero que o nó não Abra. Espero tirar a Truta" sigo pensando um tanto tenso. De um lado a outro do poço A Truta corre, despertando outras pequenas trutas que por ali se encontravam. Lentamente recolho a linha, que por vezes era novamente esticada pela Truta. E o tempo volta a seu rítimo normal...

O guia entra no poço empunhando o net, se posiciona, e gentilmente dirijo a truta até ele. Já segura, tomado pela euforia tipica do pós captura, saco a máquina fotográfica para registrar a ocasião. Depois da foto, a Truta e calmamente devolvida. Assim que se solta das mãos do Mauro, calmamente, volta ao juncal próximo a margem que estávamos e desaparece. "Meu Troféu se foi... Agora sim ! Agora sim pesquei de verdade" penso um tanto realizado.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


From Patagonia 2009 - Junin de los Andes


From Patagonia 2009 - Junin de los Andes



Paramos para almoçar, e seguimos a tarde pescando, ora em pontos onde capturamos mais trutas médias e pequenas, ora em trechos sem nenhuma atividade. E o dia seguiu, perfeito, como só um dia de pescaria pode ser.

Não foi a maior truta da minha vida, seguramente não foi. Não sei dizer o quanto pesou, ou quantos centímetros media. Ainda sou novo, creio ter muitas temporadas de pesca no futuro. Mas seguramente afirmo que A Truta, entrou para a minha história, nunca vou me esquecer dela.

Possivelmente, meus netos, um dia, vão escutar a história da Truta que fez o tempo parar.

From Patagonia 2009 - Junin de los Andes

04 June 2008

Telecurso 2o. Grau : Como as trutas enchergam !


Os colegas do Hook.Tv disponibilizaram um video no melhor estilo "Telecurso 2o. Grau" o qual explica como as trutas enchergam e sobre como as cores são percebidas pelas mesmas de acordo com a profundidade que estas se encontram.
Divirtam -se !





30 April 2008

Truta canário



Não, não descobrimos mais uma variante na família do nosso salmonídeo preferido ! Outro dia depois do almoço, dando uma fuçada na web, achei um texto no estilo "cultura inútil" no site da revista "American Angler", que conta do emprego de trutas para controlar a saúde de rios e reservatórios de água.

Em 1992, alguma coisa "estranha" aconteceu no rio Thompson no Colorado dizimando milhares de trutas. A cause de fato nunca foi descoberta. Mesmo com a intervenção de diversas entidades, como universidades, entidades de preservação do meio ambiente, e grupos independentes de pesquisa, nada foi descoberto. Porém cada grupo tinha seu "suspeito favorito", sendo que o primeiro a ser apontado como grande vilão foi a usina hidreléctrica que se vale do rio Thompson.

Jhon Perrine, encarregado da estação hidroeléctrica, se viu no dever de defender seu ganha pão, e para isto, se valeu de uma "relíquia histórica" da era de ouro da mineração de carvão no estado do colorado. O conhecido "Canário de Mina". Como o canário é um tanto sensível a qualidade do ar, em especial a partículas suspensas e gases, via de regra, os mineradores trabalhavam sempre prestando atenção no canário... Se o bicho morresse era o alerta para abandonar a mina, pois o ar já não estava mais "respirável".

Enfim, a idéia foi então achar alguns "canários" aquáticos (no caso trutas arco- íris), que residiriam em tanques nos quais a água tratada na hidroeléctrica fluiria. Assim, se a água estiver imprópria para ser devolvida ao rio,  as trutas "avisariam" que algo de errado aconteceu.

Já fazem 15 anos que as trutas canários auxiliam no controle da qualidade da água. E, segundo a matéria original, nunca cumpriram com seu dever de alertar com a vida sobre uma possível doença no rio.  

Curioso não ? Ao invéz de torrar a verba em laboratórios "on site" para realizar exames de controle de pureza, basta apenas alocar algumas trutinhas na estação de tratamento e observar se estão ok... Claro, não é aplicável no mundo todo... mas não deixa de ser uma excelente idéia !

 Há um link sobre os canários de mina !

24 April 2008

E já tá chegando !



Quase maio !
Já começa a adrenalina de subir a serra na peregrinação anual a rota dos campos de cima da serra.
Já dá para sentir o cheiro do assado, escutar os nós de pinho estourando na lareira, imaginar as conversas, o atado...
Pular da cama para a mesa do café. Da mesa do café para dentro do Wader e subir o silveira (ou descer se vc fica na potreirinhos) em busca das trutinhas gaudérias !

Dá-lhe estrada !









16 April 2008

Tremedeira !

Este post é dedicado a todos os colegas Mosqueiros que curtem uma boa pescaria de truta na mosca seca ! Ver essas trutas subindo calmamente, mostrando todo o dorso e depois a cauda é de dar tremedeira !

Por sinal, o video eu achei no tv.aegmedia.com, excelente fonte de vídeos de pesca com mosca, ainda que um pouco desorganizado, mas excelente em termos de conteúdo !!

Divirtam-se !







15 April 2008

Caviahue, companheiros de viagem !

As vezes é complicado viajar em grupo, pessoas diferentes, com hábitos distintos idéias muitas vezes conflitantes com as tuas... Por estas e por outras, na maioria das vezes prefiro viajar sozinho...

Porém, em ocasiões, especiais, e por que não dizer abençoadas, alguns grupos de viagem, deixam de ser apenas mais um grupo de viagem, para se tornarem memórias , aquelas vão virar histórias que você não quer mais esquecer. Que talvez um dia você conte para seus netos... Este ano, tive o privilégio de pescar com um grupo assim.

O Grupo

(Enzo (guia), Lúcio (guia), Bob, Mário, Gustavo, Zé, Gustavo (Russo), Rubinho fazendo a foto





O já parceiro de pescarias de truta Mario Cardin


Rubinho e Bob


Gustavo (El Russo)


Lucio, o Guia