17 January 2010

O Paraloop e o Parachute.




Estava pesquisando técnicas de se montar uma mosca seca tipo parachute de maneira mais simples, ou ainda de uma forma em que o atado rendesse um pouco mais, pois até então a técnica de se montar parachutes era um tanto complicada para mim.

Durante a pesquisa, encontrei uma técnica chamada "Paraloop", a qual me era totalmente desconhecida, procurei em alguns livros sobre atado, ou mesmo sites que uso constantemente como referência e não encontrei informações suficientes sobre esta técnica.

Mas em tempos de Google, é só ter um pouco de persistência que num dado momento, a informação desejada aparece !

Paraloop é uma técnica de atado, onde o Hackle é atado horizontalmente (em relação ao anzol) e tem por base um fio (monofilamento, floss, fio de cobre) o qual é assegurado no anzol e na ferramenta de parachute, o hackle "sobe e desce" no fio, e posteriormente é fixado com algumas voltas de fio de atado no corpo do anzol. Em seguida, solta-se o fio (que contém o hackle) da ferramenta de parachute e aplica-se o hackle sobre o anzol, dando uma "ajeitada" para que as cerdas fiquem todas na horizontal, prende-se então, o fio com algumas voltas de fio de atado.

Segue um video, que ilustra muito bem a técnica descrita acima :






Em particular, em achei a técnica toda bem bacana, mas sendo um tanto crítico, ela não é mais simples ou sequer mais eficiente que o atado do parachute. Só a demanda pela ferramenta de parachute já complica a coisa toda, pois é mais um "trombolho" a ser anexado na morsa, que vai complicar o posicionamento da mão na hora de virar a pena e tudo mais.





Agora, não sei dizer se o paraloop pesca mais que o parachute e vice versa, nunca usei moscas atadas com paraloop. Se algum dos colegas tiver uma opnião a respeito, por favor, envie um comentário ! Gostaria muito mesmo de saber mais sobre o assunto !

06 January 2010

Ernest Hemingway - O Pescador




Feliz 2010 !

Durante o recesso de fim de ano, fiz apenas uma pequena pescaria de lambaris no pesqueiro Maeda. A qual, foi muito mais divertida do que eu esperava... Do resto, muita chuva, lotação, piloteiro chapado de cachaça enfim... Aquela coisa toda !

Porém neim todo o ócio foi dispendido na caipirinha, na porção de camarão frito, no Peixe assado e na moqueca de Siri. Aproveitei para ler um pouco. E desde sempre, Ernest Hemingway é um dos autores cujo a obra me facina. Autor de muitos clássicos como : O Velho e o Mar, Verdade ao amanhecer, Por quem os sinos dobram. Hemingway era o cara ! E sua obra é imortal. Para saber mais de uma olhada em : WikiPedia (ingles), e a Hemingway Society

Hemingway foi um pescador, desde a infância. Em especial um apreciador da pesca com mosca, atividade muito presente em diversos trabalhos do autor. Na minha opnião existem duas pequenas histórias, as quais atravez de seus personagens (em especial o Nick Adams) captura de forma elaborada e grandiosa a sensação de estar na natureza, observando, pescando, vivendo o momento. São estes :

  • The Two big Heart River (O Rio de dois grandes corações) : Aproximadamente 25 páginas (dependendo da edição, tradução etc) de um verdadeiro relato de pesca. No meio do texto dá vontade de largar tudo e ir pescar ! É sensacional a emoção que ele transmite ao relatar cada pulo das trutas capturadas.
  • On the Irati (No Irati) : Parte do livro O Sol Também se Levanta, narra uma pescaria no Rio Irati, na espanha durante uma viagem de Paris à Barcelona em função das touradas. O conto tem umas 20 páginas também. A pescaria narrada é legal demais, é como se estivesse vivendo o momento. Agora a tradução para o português empobreceu muito a pesca com mosca em si, e leva o leitor a acreditar que um dos personagens "amarrava suas próprias moscas e as colocava em pequenas caixas de tabaco"
Hemingway era um autor muito prolífico durante toda sua vida escreveu muitas notas sobre pesca (no geral) caçadas, e a vida da geração do pós guerra (conhecida historicamente por "The Lost Generation"). De fato Hemingway é lembrado pelo Museu da Pesca com mosca, como grande divulgador da modalidade.



Para facilitar a vida, alguém teve a brilhante idéia de reunir todos os artigos sobre pesca do Hemingway em um único livro : "Hemingway on Fishing" , o qual é, obviamente, muito recomendável ! Além dos textos, o livro traz diversas fotos que retratam as pescarias do autor, bem como objetos de afeto do mesmo (como sua vara de fly com estojo de couro marron). Infelizmente não achei informações sobre uma edição deste livro em português.

Uma última informação : O Hemingway é da época que peixe capturado ia pra frigideira... Era a época e tudo mais... Não vem me criticar depois...

23 December 2009

O Flyshop




Logo no finzinho de novembro, finalmente fui conhecer o FlyShop do Morelli (Fly&Cia), durante um dos cursos de atado oferecidos pela casa. Enquanto o curso rolava, eu e os demais colegas que estavam por ali para conhecer o flyshop conversamos bastante sobre tudo que envolve o esporte, desde equipamentos até pescarias. E obviamente, como bem falou o Cacosa "Eu não consigo ver um santo e não rezar...". Logo, sai do flyshop com alguns pacotes de EP mais umas ferramentas de atado.

Não foi a primeira vez que estive em um flyshop. Já estive em alguns nos EUA, Chile e Argentina. No caso de flyshops fora do pais, é aquela mentalidade de : "Vamos aproveitar", "Levo o que couber na mala e não estourar o cartão de crédito". Compreensível certo ? Quantas vezes no ano, nós pescadores de mosca brasileiros temos a oportunidade de comparar dois equipamentos in loco ? Quando muito uma ou duas vezes.

Depois da visita ao Fly&Cia, fiquei pensantivo sobre a evolução do mercado de fly no Brasil. Quando comecei em meados de 2004, tinhamos uns 2 colegas que se dedicavam integralmente ao comércio de equipamentos de fly, mais algumas lojas de pesca que até vendiam equipamentos de fly, tanto os famosos combos chineses, quanto caniços, linhas e carretilhas (em SP, não sei dizer sobre o resto do pais). Agregado a este cenário, tinhamos ainda uma série de colegas que se davam ao trabalho de comprar material dos EUA e revender.

O cenário que descrevi me levou a adotar a atitude de "Garimpeiro", ou seja, ficar na cola dos classificados nos fóruns de pesca, nas lojas de pesca e até a encomendar material em sites como Cabelas, Orvis, BassPro Shops e etc... O problema de ser garimpeiro, é que na maior parte do tempo você não encontra aquilo que de fato quer, e acaba se conformando com o que acha. Afinal é melhor do que nada.

Segundo Einstein o universo está em constante evolução. Nos anos seguintes outras iniciativas tomaram corpo, FlySul (2005 se não me engano) AldeFly (2006), FlyShopBrasil (oficialmente em 2007 ? Não sei dizer ao certo...). Notoriamente iniciativas movidas muito mais pela paixão do proprietário do que necessarimente pelo mercado em si. O importante é que passamos a ter acesso "fácilitado" a mais equipamentos e material de atado.

Hoje, Dezembro de 2009, tá "fácil" de começar a pescar com mosca, ao menos do ponto de vista da aquisição de equipamentos ! Temos flyshops estabelecidos, que trabalham com equipamentos para todos os bolsos (ou para a boa parte deles), material de atado também, vises nacionais de qualidade. Hoje, em uma visita à um site, você consegue comprar : um livro ou um dvd (em portugues do Brasil !!!) para aprender sozinho, um kit completo de fly (de qualidade) que vai lhe proporcionar não apenas aprendizado, mas boas pescarias em seus primeiros anos na pesca com mosca. O resto é evolução.

Como diria Jhon & Paul : "It's a long and Winding Road", são necessários alguns anos de muita batalha até que os Flyshops brasileiros ofereçam o mesmo inventário que uma Kaufman, uma Orvis disponibilizam. Creio que é uma questão de evolução, com o tempo, outras iniciativas vão surgir, algumas vão desaparecer ... Tem toda a parte de serviços de manutenção, garantia, e etc as quais começam a despontar... Vamos torcer para darem bons frutos.

Minha filosofia de compra de material de fly, migrou de "Garimpeiro" para "Seletivo". Hoje não compro o que aparece, mas sim o que faz sentido, o que já está no Brasil (preferencialmente) e claro, que caiba no bolso. E ainda prefiro ir no flyshop pessoalmente e comprar ao vivo. Por que ? Por que é muito mais legal !! Flyshop, socialmente falando, deve ser O lugar para se marcar pescarias, aprender a atar contar causos e tudo mais.

A seguir uma pequena lista de links de flyshops as quais eu gosto de comprar, e recomendo aos demais companheiros :

02 December 2009

Upgrade no atado

Recentemente dei um "upgrade" em minhas ferramentas de atado, de maneira especial no Vise (morsa). E depois de "testar" o novo equipamento por uns bons 15 dias, decidi então escrever sobre a experiência toda.

Via de regra, não gosto de citar marcas, lojas e etc aqui no vôo da mosca. Porém hoje, não conseguirei me ater a regra. Afinal de contas como comparar morsa A com Morsa B sem citar devidamente os fabricantes ?

Desde 2006 até algumas poucas semanas atráz eu usei uma Apex da americana Anvil. Sempre gostei muito dela, pois é parruda, simples, rotatória, segura bem anzóis do 2/0 ao 24 (na spec do fabricante está descrito como de 7/0 até 32). Segundo a revista americana "The American Fly tier" a Apex está no top 10 na categoria "Iniciantes" bem como na relação "custo benefício"




Agora vem a implacável questão : "Se o equipamento é tão bom, e faz tudo isso ai, por que trocar ?".

A lista de motivos não é extensa, e em grande parte formada por preferências pessoais, ou ainda em função de habilidades e técnicas que eu acredito que uma morsa com mais recursos venha a colaborar no desenvolvimento nos próximos anos.

Desde o começo de 2009 eu comecei a pesquisar morsas que tivessem as seguintes características :
  • Rotatória com centro no Anzol e não na alavanca ou corpo da morsa.
  • Mais firmeza para atar bugs em pelo e etc...
  • Mesmos tamanhos de anzois que a Apex segura.
  • Conforto na minha mesa de atado.
  • Utilizasse o sistema "Canned" para abrir e fechar os jaws.
  • Que viesse com Base, C-Clamp e Bobbing Hanger e Parachute Hanger.
Durante alguns meses, conforme a vida permitia, fui estudando morsas das mais variadas marcas, modelos, nacionais, importadas, soluções caseiras (algumas muito criativas por sinal), e para encurtar uma longa história, fiquei entre 3 modelos de 3 distintos fabricantes são estes :


A priori, minha preferência foi obviamente pegar a Atlas da Anvil, que nada mais é do que um "upgrade" da Apex adicionando a esta a habilidade de rotacionar mantendo o anzol no centro do movimento (primeiro tópico da minha lista).



A renzetti vinha logo em seguida, já conhecia a qualidade do material, e vamos ser honestos certo ? O Nome rezentti tem um pusta peso !




Já a Dyna King eu só tinha visto o equipamento nos EUA alguns anos atráz, nunca tinha usado.

Bom, encurtando a história, no começo de setembro via FlyShopBrasil, tirei o escorpião do bolso e mandei vir a DynaKing Barracuda Indexer. Depois do habitual período de espera, finalmente chegou o brinquedo !




E que brinquedo... A morsa vem completa, com bobbing hanger,clip, Base (pesada que é um absurdo) Ferramentas diversas (chaves sextavadas e triangulares) que dão acesso aos parafusos e bicos de ajuste do equipamento. Vem ainda uma ferramenta um tanto curiosa que ajuda a ajustar o Jaw em relação ao eixo rotativo, só vendo para entender.

A construção é toda em Aço Inox, com Knobs em latão, ajuste rotatório da abertura do jaw (parece um mandril de furadeira manual), com alavanca de pressão reforçada.

O visual é meio "Brucutu" se comparado com as Renzetti, não por falta de acabamento ou qualquer outro defeito ou meramente falta de caprixo, mas sim por ser um equipamento "Grandalhão". Talvez, o visual possa ser descrito em uma palavra como : "Robusto"

Do ponto de vista funcional, a morsa é bem mais do que eu esperava. Levei um tempo para aprender a posicionar o anzol, que não é tão obvio quanto parece, mas de fato posso garantir aos colegas que a propaganda que a Dyna-king faz é realmente verdade.
Uma vez que o anzol está preso, que você escuta o click da alavanca, pode descer o braço que não vai soltar, É impressionante. Mesmo anzois #24 presos na pontinha do jaw ficam super seguros. Na Apex os anzóis pequenos, mesmo quando bem presos, deslizavam para fora do jaw, ou até literalmente "espirram" para fora do jaw.

Todo o sistema rotatório é meio que novo para mim. Não sei comparar se a Renzetti rotaciona melhor e etc. Posso dizer que é bem divertido girar o anzol na pena e não a pena no anzol !! Exige treino (claro), mas é muito divertido. O Esquema de indexação é dado por um knob que permite que você ajuste de uma a 8 posições (ângulos) onde o eixo central "Clicar" e ficar seguro ao ponto de continuar atando na posição selecionada.

Bom, escrevi pacas, resumindo : A morsa Anvil Apex é boa demais, e tem um excelente custo benefício, escolher um substituto foi uma tarefa interessante, aprendi bastante sobre morsas no processo. A Dyna King Barracuda pode ser até meio desconhecida no Brasil, porém é um excelente material, pode não ter o visual bacana da Renzetti ou da Abel, mas não tenha dúvidas que ao finalizar o seu primeiro atado numa Morsa da série Barracuda, você vai estar convencido que está de frente à um equipamento TOP.

15 November 2009

Grey Wulf.


Lee Wulf, um dos sujeitos que eu mais adminiro no mundo da pesca com mosca. Ávido pescador, Foi o primeiro em muitas coisas, tais como : primeira operação de pesca "esportiva", primeiro a fazer filmes comerciais sobre a pesca com mosca, criou muitos patterns de mosca, e por ai a fora... Seu legado foi a ponta da lança para o atual estágio do esporte. Já citei algumas vezes o livro The Bush Pilot Angler, digo de novo, novamente mais uma vez, VALE MUITO A PENA !!

Um exemplo prático do legado de Lee ao esporte são os patterns adaptados, ou ainda, criados por ele. No Vídeo a seguir, o senhor que ata uma grey Wulf, aparentemente conheceu o Lee pessoalmente e durante o atado, dá uma boa idéia de como o Lee atava suas moscas : Ná mão (sem morsa), sem muitos detalhes, atava para peixes, não para pescadores... Legal né ?!

Enfim, 9 minutos de vídeo que agregam muito na cultura geral do atador...


08 November 2009

Re-re-reTrabalho


Domingo chuvoso, dia de atado, sem dúvida nenhuma... Mesmo por quê, assistir TV de domingo não é viável né ?! "Ô loco meu ! E agora mais do que nunca..."

Antes de começar a atar, resolvi fuçar as caixas de mosca, ver o que tava faltando coisa e tal... Calhou que foi um bom exercício, achei um monte de moscas que eu já tinha testado e comprovado que não funciona, além de uma série de moscas em EP do começo da carreira de atador de EP (heheh). Também tinham coisas bacanas, como poppers resinados, uns hair bugs do Gregório e etc...

Enfim, esses patuás pataxós aí, foram todos retirados das caixas, alguns até pegam peixe, outros foram resultantes de experiências fracassadas, tudo parte do grande barato que é a ciência não exata de se atar moscas.

Agora vem a parte legal, começar tudo do começo (preferencialmente) mais uma vez ! Limpar os anzóis, pesquisar novas moscas com os colegas, fóruns e sites, e sair atando tudo de novo !!